domingo, 31 de julho de 2011

Criatividade para encantar

A internet nos possibilita ir muito mais longe do que já fomos e estar com muito mais pessoas do que já estivemos, tendo todos os tipos de experiências virtuais possíveis, dependendo apenas de um clique. Porém, talvez um dos maiores desafios para as empresas e profissionais esteja em conciliar o virtual com o real, oferecer conteúdos relevantes e criar relacionamentos que tenham continuidade “no mundo lá fora”, usando as ferramentas de mídias sociais para esta interação.

Mas com planejamento, criatividade e dedicação pode ser possível. Um exemplo disso aconteceu no último dia 21, semana do Dia do Amigo, quando recebi no trabalho um presente inusitado da Alessandra Passini Sander, arquiteta por formação, mas chef e blogueira por um destes impulsos que o destino nos dá. Ela criou o  blog Pilotando um Fogão (http://www.pilotandoumfogao.wordpress.com/), com mais de 13.000 visitas, onde coloca quase que diariamente uma receita nova, provada e aprovada por ela e pelo marido (ou maridex, como ela costuma se referir ao feliz ajudante que certamente não reclama de ter que saborear as receitas para dar o veredito).

O regalo consistia em o um pote de vidro, bem enfeitado e com vários ingredientes em camadas, com a logomarca do seu blog. Foi uma surpresa muito bacana e achei bem criativa a combinação dos ingredientes (farinha, aveia, m&ms, gotas de chocolate, nozes, dentre outros). No começo não entendi, mas decidi que o mimo ficaria bem na bancada da cozinha. Porém, virando o pote, encontrei a seguinte frase: “Amigos especiais merecem uma lembrança especial. Vejam no blog como fazer para transformar esses ingredientes”.





Simplesmente genial! Um presente, onde pessoas que seguem o blog, poderiam colocar a mão na massa e completar a “obra-prima”, que agora estaria sendo concluída à 4, 6, 8 mãos... ou seja, transformando o virtual em real e fazendo diferença na vida das pessoas. A minha tarde de domingo, posterior a esta surpresa, foi muito agradável, pois minha mulher e eu colocamos a receita em prática e trouxemos “vida” aos cookies. Por sinal, vida curta, já que foram rapidamente degustados e aprovados pela família. Lamentavelmente, não pelos amigos, pois para isso teriam que ter sobrado, fato que não aconteceu.


Este episódio me trouxe algumas reflexões em relação ao relacionamento das empresas com seus clientes. Será que estamos realmente preparados para nos comunicar, reconhecer e valorizar nossos clientes e fazê-los ter experiências inesquecíveis com nossa marca, nossos produtos e serviços a ponto de tornarem-se fãs de nossa empresa?  Quantas vezes felicitamos pelo aniversário ou data de fundação (no casos de clientes corporativos), enviamos informações relevantes ao negócio do cliente ou ligamos para outro motivo que não vender alguma coisa?

Há bem pouco tempo atrás um cliente satisfeito divulgava o fato para uns 5 amigos, conhecidos ou familiares. Insatisfeito, relatava para em média 15 pessoas. Hoje, com as mídias sociais, essa regra deixou de existir e a insatisfação pode alcançar milhares de pessoas na rede. Estamos cheios de exemplos atuais sobre isso. A notícia boa é que a experiência positiva e o encantamento faz com que os fãs também a compartilhem com toda a sua rede de relacionamento. Virtual ou real. Afinal, cada vez mais estes dois universos se aproximam, se misturam e se confundem.

Quantos clientes não estão por aí prontos para serem surpreendidos, encantados e loucos para dizer para todo mundo como o seu atendimento é diferenciado? Talvez ele só espere uma experiência e uma oportunidade para isso.





Nos próximos posts, pretendo navegar um pouco mais por este tema.
Até lá.

domingo, 19 de junho de 2011

Viagens

Não sei se esta forma de interpretar as viagens começou ainda na adolescência, viajando com meu pai (representante comercial) por todo o interior do RS, ou na época de estudante, em Santa Maria, quando pegava carona para ir para casa da família em Rosário do Sul ou para visitar a namorada (hoje esposa), em Taquara, há uns 350 km, o que me proporcionou conhecer muitas pessoas e histórias e viver as mais diversas situações, por vezes engraçadas, por vezes emocionantes.

De alguns anos para cá, por conta de minha profissão, sendo responsável por equipes e parceiros comerciais dispersos geograficamente no estado, viajo bastante, percorrendo alguns quilômetros de asfalto a cada mês. Com o tempo acabei fazendo um acordo com a estrada: eu respeito os seus e os meus limites e ela me proporciona momentos de reflexão, estando sozinho ou mesmo podendo compartilhar da viagem com mais pessoas. Nestas ocasiões, sempre existe a possibilidade de conhecer mais o outro, sua história, motivações e aspirações.

Uma destas histórias bacanas aconteceu há alguns dias atrás, na volta de nossa convenção anual de vendas com nossos parceiros comerciais e alguns membros da equipe, em SP. Depois de uma maratona de palestras e apresentações de alto nível,  restava muitas insights interessantes e várias ideias a implementar, mas também algum cansaço físico, resultado de 3 dias de uma intensa convenção.

No entanto, no aeroporto, tivemos a confirmação de que todos os voos para o RS haviam sido cancelados em virtude das cinzas do vulcão no Chile. Eram quase 18h do dia 09/06/2011. Tínhamos que buscar alguma alternativa, pois passar a noite no aeroporto estava entre os últimos planos de todo o grupo de 28 pessoas que formavam a “delegação”. Logo, tudo indicava que as próximas horas seriam longas.

Porém, neste momento começou o que considero uma série de lições de administração, as quais acredito que vale a pena registrar:

Estratégia
Tínhamos nas mãos uma organização sendo formada, com objetivos a serem definidos. Precisávamos de uma estratégia. Esta, que serve para posicionar a organização de forma a sobreviver às diferentes variáveis impostas pelo mercado, garantindo sua continuidade no tempo, com definição de atividades e competências para entregar valor de maneira diferenciada às partes envolvidas, serviria para balizar nossas ações. O aparente caos aéreo pareceu representar bem o caos do nosso mercado e a competitividade existente nele, com a imposição de tempo e recursos.

Planejamento
Os recursos eram escassos, não havia hotel disponível por perto e mesmo que se conseguíssemos hospedagem ou que todos ficassem no aeroporto, não havia a certeza que de que iríamos embarcar na manhã do dia seguinte. Era necessário pensar em alguns cenários: buscar hospedagem em hotel? Tentar um voo para um estado onde os aeroportos não estivessem fechados? Alugar 6 carros em SP e voltar dirigindo? Pegar um ônibus até um estado mais próximo e de lá alugar os carros? Fretar um ônibus exclusivo? Assim como decisões nas empresas, todas as possíveis saídas envolviam uma análise do orçamento, tempo, benefícios, conhecimento do ambiente e fornecedores, negociação e a análise do risco e dos possíveis reflexos da decisão.

Liderança
Além dos líderes formais, surgiram os líderes situacionais que prontamente reuniram ideias para buscar soluções, delegaram tarefas, dividiram as funções e administraram a ansiedade. A nosso favor a conexão, de todas as formas: celulares, smartphones, modems e tablets. Alguns membros usavam estes recursos para procurar contatos de empresas de ônibus, outros contatavam a agência e hotéis da cidade. Outros se ofereciam para ajudar em alguma coisa. Alguns buscavam informações sobre andamento das negociações e das novidades, para comunicar aos demais. Uma decisão tinha que ser tomada e muitas pessoas dependiam disso. A decisão tomada e acordada pela maioria foi de que voltaríamos todos juntos, de ônibus, de SP a Porto Alegre.

Negociação
Para fretar um ônibus exclusivo, seriam necessárias algumas horas para formalização da viagem junto aos órgãos de trânsito, logo a viagem deveria ser com ônibus de linha. Assim que identificadas as empresas que tinham itinerário interestadual, começaram as negociações para que a empresa disponibilizasse um veículo extra, e qual fornecedor conseguiria atender com o preço adequado, melhor qualidade possível e principalmente no menor tempo, já que todos estavam ansiosos para retornarem a suas casas.

Motivação
Esta viagem levaria normalmente apenas 1h30 para acontecer, porém, agora, teríamos perto de 16h pela frente. Ainda assim, todos comemoraram. Parece um tempo longo quando se quer chegar, mas foi tempo suficiente para estreitar relações, alinhar perspectivas e fazer com que um grupo de pessoas pudesse cooperar em prol de um mesmo objetivo, crescendo, se envolvendo e escrevendo juntos uma mesma história.

Confiança
Em todas as paradas para as refeições viam-se rostos cansados, cabelos desgrenhados e roupas amarrotadas. Mas em nenhum momento houve alguma manifestação de arrependimento ou questionamento da decisão, mas sim o entendimento que, assim como muitas decisões difíceis do dia-a-dia, esta partiu de um propósito visando o melhor para todos. A confiança nos líderes também aqui se mostrou fundamental.

Integração
A chegada foi comemorada com aplausos e abraços, deixando uma grande certeza: a de um time mais unido, juntos nas adversidades e nas comemorações, vivenciando algo novo e compartilhando uma sensação que pode ser dividida até mesmo com quem não estava no evento.
O time que retornou desta viagem estava muito mais forte e confiante em sua capacidade de superação.





“O que eu escuto, eu esqueço
O que eu vejo, eu lembro
O que eu faço, eu aprendo.”
(Confúcio)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Intra-empreender


Provavelmente você, assim como milhares de brasileiros, também sonha em ter sua independência financeira através de seu negócio próprio, mas esbarra em algumas dúvidas, tais como: que tipo de negócio? Será que estou preparado(a)? Por onde começar? Com que capital? Para que tipo de cliente? Tenho o conhecimento necessário sobre o produto/serviço ou mercado? Mas se não der certo? E por aí vai...





Porém, empreender não diz respeito apenas a abrir um novo negócio e se aventurar no mundo das grandes responsabilidades empresariais. Também está ligado à habilidade de perceber as oportunidades onde a maioria das pessoas não as vê, dentro da própria empresa em que se trabalha.

 Profissionais com estas características são chamados de intra-empreendedores ou empreendedores corporativos. O que os motiva é desenvolver novas idéias e implementá-las, aproveitando esta oportunidade para se desenvolver e gerar soluções com as ferramentas e estrutura que a empresa oferece e diferenciando-se.

A imagem do empreendedor como a figura revolucionária que mudará o mundo com idéias fantásticas deve ser desmistificada, pois pode tornar-se sinônimo de frustração se aquela incrível idéia não vem. Esta pressão nos torna menos produtivos e menos receptivos a novas idéias. Todos nós, em maior ou menor grau, temos capacidade de criar, de inovar, de pensar diferente. Esta é uma habilidade que precisa ser constantemente exercitada, desenvolvida. Para isso, é necessário ter os objetivos definidos (já falamos sobre isso em posts anteriores), estar com a cabeça aberta e ter um ambiente que promova o surgimento de novas idéias.

Tenha sempre em mente que:


Você tem potencial: podemos dizer que potencial é uma habilidade ainda não utilizada, aquilo que você pode fazer, mas não fez. Idéias estão aí na sua cachola fervilhando e esperando ansiosas pela hora de vir à tona e conhecer o mundo real. Não sufoque este potencial, mas resgate e liberte-o.

Coisas simples fazem a diferença: nem tudo que é bom precisa ser complicado. Pelo contrário, depende da aplicabilidade que ela tem. A correria do dia-a-dia também nos impede de contemplar as coisas mais simples. Observe o seu ambiente! Um tal engenheiro suíço chamado Georges de Mestral, muito curioso, ao fazer seu trajeto para o trabalho pelas manhãs, percebeu que carrapichos (não estou falando daquela banda de Manaus, sucesso dos anos 90, mas um tipo de semente espinhosa de certas plantas) ficavam grudados em sua calça. Ao observar mais de perto, entendeu como isso acontecia e decidiu reproduzir a técnica: assim nascia o velcro. E essa é apenas uma pequena história sobre coisas que foram criadas nascendo da observação e da simplicidade.

É preciso acreditar na possibilidade: você conhece pessoas que só pensam que tudo pode dar errado, que não vai funcionar ou que já se tentou antes e não funcionou? Você já viu alguém com esta postura se destacando e realizando seus sonhos? Obviamente não, pois estas pessoas são paralisadas pelo seu próprio pessimismo. Elas são incapazes de levar adiante qualquer coisa que começam, pois a acomodação e o medo de sair da zona de conforto falam mais alto. Fuja delas! Esta é uma opção de vida que não precisa ser a sua.

Mais algumas dicas para se aventurar no mundo dos intra-empreendedores:

  • Crie um ambiente propício à inovação;
  • Aprenda sempre e estar aberto para novos conhecimentos constantemente;
  • Entenda as necessidades de seus clientes e potenciais clientes (leia-se também: áreas internas da companhia, com que se relaciona);
  • Fortaleça sua rede, pois assim terá mais pessoas conhecendo a apoiando suas ideias;
  • Busque novos desafios, propor, estar à disposição para assumir projetos, por exemplo;
  • Não se acomode (a acomodação é a inimiga da criação);
  • Seja determinado (a única certeza que temos ao sair de casa é que ouviremos vários “nãos” durante o dia. Cabe a nós fazermos a diferença, entendendo que a cada “não”, estamos mais perto de um “sim”);
  • Esteja de olho nas novidades e nas tendências, tentando antecipar-se;
  • Seja crítico (o que não quer dizer criticar tudo!) para perceber o que poderia ser feito de outras formas;
  • Não tenha medo de errar (risco calculado);
  • Seja persistente, não desistindo na primeira dificuldade. É persistindo que se chega ao topo!
  • Faça o que deve ser feito;
  • Comemore todos os pequenos avanços, as pequenas vitórias, isso nos dá motivação para buscarmos as grandes;

Procuro pensar que para empreender em qualquer projeto pessoal ou profissional, é preciso coragem para se livrar dos medos, dos modelos mentais, que nos impedem de crescer ou, muitas vezes, de dar o passo mais importante: o primeiro.

Pode ser que ao fazer uso de suas potencialidades, gerando e gerenciando ideias, implementando-as e aprendendo com as mudanças, compartilhando soluções e desenvolvendo relações, possa trazer experiência, conhecimentos e, por que não, recursos, para responder a todas aquelas perguntas do início do texto e isso acabe impulsionando você a realizar seu sonho.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Tem um minuto? Parte II

Como mencionei na primeira parte deste post, talvez não estejamos plenamente satisfeitos com nossa carga de trabalho. Particularmente, acredito que por mais que a delegação seja importante (e certamente é) não conseguimos diminuir o nível de responsabilidades e atividades as quais estamos envolvidos, pois à medida que delegamos, acompanhamos, implementamos e resolvemos, imediatamente substituímos a atividade por outra (ou várias) tão ou mais urgentes do que a anterior. Em outros casos, em determinadas atividades, nem é possível delegar, ou seja, as tarefas e responsabilidades dependem apenas de você.

Então como podemos agir em relação a isso? Devemos nos conformar? Aliás, vale à pena continuar dedicando um recurso tão precioso que temos com algo que não nos agrega e, pelo contrário, apenas nos consome e compromete nossa vida, nossas relações e por vezes, nossa saúde?

Antes de responder, convido você a parar para pensar nas seguintes questões em relação à função, cargo ou papel que exerce:

Ø Desempenho esta atividade por que realmente gosto e acredito ou por falta de opção?

Ø Qual o meu verdadeiro propósito (dinheiro, carreira, conhecimento etc.)?

Ø Sou bom e me dedico a minha função? Procuro ser cada vez melhor?

Ø Conheço bem meu trabalho? Sei o que a empresa, chefe, pares e subordinados esperam de mim? E o que eu espero de mim?

Ø O que faço me realiza como pessoa e profissional?

Ø Consigo me ver ascendendo na empresa ou em outros projetos de vida, através do trabalho ao qual me dedico?

Pode parecer que nada disso tenha a ver com gestão do tempo, mas na minha opinião tem muito, pois se não soubemos responder ou se respondemos negativamente a maioria destas perguntas, provavelmente estamos jogando fora nosso tempo e com isso parte de nossas vidas, esquecendo de quanta vida deveria existir naquilo que fazemos. E assim, não fazemos com paixão. E quando não fazemos com paixão, não estamos vivendo o agora, apenas preenchendo o tempo com mais tarefas vazias que não trazem sentido algum a nossas vidas e a dos outros. Desta forma, estamos fadados a terminar nossos dias com a sensação de que nada foi realizado. Talvez, porque de fato não foi mesmo.

Esquecemos de alguns requisitos importantes para o desempenho de nosso trabalho, como prazer, ou seja, gostar do que fazemos e ver nisso um propósito; aceitação, que é entender que nem tudo que fazemos nos dará prazer, porém são peças importantes para conclusão de nosso objetivo; e entusiasmo, ou “ter Deus dentro de si” e que dá sentido e significado a tudo que fizermos.

Falando nisso, quando não vemos sentido ou não tratamos de gerar sentido no que fazemos, o tempo (aquele mesmo tão necessário e cada vez mais em extinção) pode ser usado para propósitos menos nobres como envolvimento com boatos ou fofocas ou para criticarmos a gestão, mesmo que não tenhamos idéias ou sugestões de melhoria, gastando assim tempo e energia que poderia ser empregado para alavancar resultados, idéias, projetos, enfim, para alavancar a empresa e por conseqüência a carreira.



Hoje estamos envolvidos com muitas atividades, a maioria ao mesmo tempo. Abrimos muitas janelas simultaneamente (ironicamente, e perdoem o trocadilho, às vezes sem olhar para a paisagem do lado de fora da janela). Somos multitarefa, multifacetados, multimídia, multiconectados. Porém, todavia, contudo e entretanto, todos nós temos a mesma quantidade de tempo: 60 segundos cuidadosamente distribuídos em cada minuto. E ele é mesmo assim para todos, escoando pelos ponteiros do relógio, de forma apressada ou lenta, nos mesmos 60 minutos por hora, 24 horas por dia, 365 dias por ano, totalizando inegociáveis 31.536.000 segundos por ano (para efeitos didáticos, propositalmente ignorei os bissextos).

Mas afinal, como decidimos gastar este tempo  com as coisas as quais nos dedicamos e quantos segundos são necessários para que nos demos conta disso? Ou seriam anos?

O tempo continua passando...


Ah, antes que você me pergunte por que dividi este tema em duas partes, eu explico: pensei que como o texto ficou um pouco longo, talvez você não tivesse tempo para ler.
Pensei até mesmo em escrever uma terceira parte, mas para falar a verdade, já é um pouco tarde da noite, e eu preciso de um pouco de tempo para mim. Você pode me emprestar alguns minutos?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Tem um minuto? Parte I


“Quando se vê, já são seis horas!
 Quando se vê, já é sexta-feira…
 Quando se vê, já terminou o ano…
 Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
 Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
 Agora é tarde demais para ser reprovado.
 Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio."
                                                                      Mario Quintana




Às vezes você não tem a impressão de que o tempo anda passando muito depressa e que antes, nos “velhos tempos”, ele demorava mais a passar?

Esta pergunta, na verdade é relativamente fácil de responder e comum a todos nós. Acredito que todos temos a sensação de que estamos trabalhando um pouco a mais do que deveríamos. Mas será que existe, em curto prazo a perspectiva de mudança ou o trabalho tende a aumentar, ampliando nossa carga de stress, comprimindo o tempo e deixando-nos ainda mais com a sensação de que as horas estão encolhendo?

São muitas as distrações cotidianas que estão a nossa espreita em anúncios no rádio, televisão, carros de som, vendedores ambulantes, panfletos, o malabarista da esquina, o menor que pede um trocado no semáforo, o gentil rapaz que pede uma gorjeta pelo carro “bem cuidado”, os outdoors, os jornais e revistas expostas no jornaleiro, seus filhos e cônjuge, sua família e amigos, o “compre isso, compre aquilo”, “mas não é só isso, se ligar agora você ganha também...” , o “amanhã e só amanhã no...”

E no ambiente de trabalho temos diversas situações que denominamos “ladrões de tempo” ou “disperdiçadores”. Muitas delas existem por falta de método de trabalho e de priorizações.  Muitos são os disperdiçadores, como telefone, reuniões pouco objetivas, interrupções, comunicação deficiente etc. Um exemplo clássico é quando te abordam com a fatídica “Você tem um minuto?”, quando sabemos na prática que nunca é só um minuto, mas geralmente uma coleção deles, o que nos faz refletir posteriormente sobre nossa inveterada capacidade de aceitar muito mais do que podemos fazer realçado pelo medo de dizer “não”. Sem falar do bombardeio de informações, de perguntas e respostas que se multiplicam na caixa de um Outlook qualquer, preenchendo lacunas de um “Cc...” (Copiar a todos) e se proliferam gerando mais perguntas e mais respostas, nos mantendo presos a uma rede de soluções inesgotáveis para infindáveis problemas. Acabamos, então, nos sentindo culpados por não conseguirmos dedicar toda a atenção às pessoas que precisam ou merecem que as dediquemos este tempo (e com quem aprenderíamos muito).

Não é de se estranhar que a ansiedade esteja tão presente em nossas vidas. Esta, de mãos dadas com a sensação de não conseguirmos dar conta, nos desgasta e nos faz estender o horário de expediente para cumprir com as demandas e ainda assim chegar em casa já pensando nas coisas que ficaram pendentes, e em como poderemos resolvê-las no outro dia. Dia este que novamente chegará e com ele trará uma série de novas situações que exigirão nossa atenção. E nosso tempo. E neste círculo vicioso, gera-se stress, frustração, angústia e dúvidas, limitando nosso poder criativo.

Há alguns dias presenciei um diálogo assim:

- E então, você conseguiu se inscrever naquele curso promovido pela empresa sobre gestão do tempo?
- Não. Infelizmente não deu.
- Mas você não me disse que estava com muita dificuldade com isso?
- Sim, mas é que não deu tempo.

O que me questiono é se temos mesmo falta de tempo ou falta de foco. E quando falo de foco, refiro-me a tudo que sobra quando eliminamos o que não tem (tanta) importância.


 

Escutei certa vez uma ideia sobre a vitória à qual concordo plenamente. No exemplo, um lutador dizia que não ganhava a luta no ringue. Lá ele apenas era reconhecido. A vitória acontecia durante todos os anos em que se preparava para o combate. Por isso, acredito que fazer o que se gosta ou gostar do que se faz pode ajudar a nos manter focados no nosso projeto, pois  quem tem propósito e se prepara para isso, busca excelência constantemente em tudo o que faz e não tem tempo a perder com picuinhas e coisas pequenas, pois pensa grande e prioriza suas atividades, dedicando energia para aquilo que realmente importa e que trará resultados para todos os envolvidos.

Ao encontrarmos uma atividade que gostamos poderemos até mesmo trabalhar mais, mas com muito mais dedicação, motivação, afinco e paixão. Deste modo, acredito que a questão tempo não é um problema, mas um dilema. Problemas podem ser resolvidos. Dilemas, administrados. Com mais trabalho, mas com foco, diminuiremos a sensação de perda de tempo.

Quando deixamos qualquer coisa nos tirar do foco, corremos o risco que todas as coisas o façam.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Prece

Hoje à tarde assisti a palestra do Sérgio da Silva Almeida (www.sergiodasilvaalmeida.com.br), proporcionado por um parceiro comercial a toda sua equipe, onde apresentou seus cases vivenciais, sua trajetória, com foco em comportamento, relacionamento, atendimento e vendas. Uma palestra com muita riqueza, diga-se de passagem, com reflexões que apenas quem vê o mundo com olhos de empreendedor pode trazer.

Entretanto, um assunto que me chamou muito a atenção foi um depoimento de como um fato mudou sua vida em relação ao modo de se relacionar e de expressar seus sentimentos. Segundo ele, desde sua infância, por uma questão meramente cultural nunca mais havia beijado a face do pai ou dito a ele palavras de carinho. Porém, em 2006 um acontecimento marcou a sua vida: sua casa foi invadida por ladrões que o mantiveram sob a mira de revólveres por quase duas horas. Naquele momento, certamente sua vida passou na frente de seus olhos, mas nada era mais importante do que a sobrevivência de seu filho de onze anos, que estava com ele.

Chegaram a decidir que levariam a criança como refém e cobrariam o resgate, porém o pai, com inteligência emocional conseguiu manter a calma e argumentar para que levassem bens materiais mas não colocassem em risco a vida do menino. Por fim, os bandidos foram embora com diversos objetos e dias depois, curiosamente, atendendo ao seu pedido, deixaram na sua caixa de correspondência um CD com o conteúdo de seu livro que estava escrevendo havia sete anos.

Da palestra, além de uma série de informações, conhecimentos e análises comportamentais, algumas perguntas importantes (as quais normalmente não costumamos parar para pensar) deixadas no ar pelo palestrante ficaram nitidamente impregnadas na cabeça dos participantes:

Se você tivesse apenas alguns minutos de vida e pudesse fazer apenas uma ligação, para quem faria?
O que diria?
Há quanto tempo não faz isso?



Estas perguntas reverberam em nossa mente, em um momento em que nos deparamos, ainda incrédulos, com um episódio absolutamente desumano e inexplicável que foi a tragédia na escola do Rio de Janeiro. Este assunto tem sido amplamente debatido por praticamente todas as pessoas com quem tenho conversado, pois realmente chocou a todos nós.

Como telespectadores desta triste história real, resta-nos orar pelas vítimas, pelas demais crianças que presenciaram o fato e pelos familiares que não mais terão a alegria de verem seus filhos voltarem da escola. Sonhos e sorrisos perdidos.

Porém, como atores principais de nossas vidas e escolhas, cabe valorizarmos os que nos rodeiam e expressarmos nosso amor, carinho, gratidão e todo tipo de sentimento que fortaleça nossos laços, nossos vínculos, sem esperar que verdadeiros tsunamis aconteçam em nossas vidas para nos fazer enxergar o que sozinhos, muitas vezes não conseguimos ou que não queremos ver.

Alguns, como o empresário e palestrante, Sérgio Almeida, citado no início do texto, nasceram de novo após uma experiência traumática e passaram a encarar as relações de outra forma. Após o assalto em sua casa, ele viajou até a cidade onde mora seu pai, beijou seu rosto e disse o quanto o amava. E, a partir de então, passou a adotar esta atitude.

Muitos, porém, não tiveram e não terão essa oportunidade.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Um sorriso, um presente.

Minha nova experiência como pai mal começou e as mudanças são constantes e já fazem parte da rotina, como as noites mais longas que fazem os dias cobrarem implacavelmente o sono perdido.
É comum me perguntarem: “Tem conseguido dormir?”. A resposta, emprestada de uma amiga, faz todo o sentido: “noites mal dormidas, mas muito bem vividas...”
Independente disso – e convenhamos, nem todas as noites são de privação de sono – a maioria das mudanças tem sido positivas. Eu não canso de me surpreender com as pequenas coisas que acontecem, as mais simples possíveis, o que mostra que sempre temos muito a vivenciar e aprender.
Há alguns dias, por exemplo, aconteceu algo interessante e ao mesmo tempo muito emocionante: meu filho sorriu para mim, em reação a um gracejo desajeitado de um pai coruja. Sorriu.
Para tirar a prova dos nove, o provoquei e ele sorriu mais umas tantas vezes... O que me surpreendeu e emocionou foi o fato de este sorriso ter sido voluntário, pois até então todos os gestos e expressões eram intuitivos (segundo Charles Darwin, as crianças já nascem sabendo sorrir para interagir com a mãe e receber os cuidados necessários para sua sobrevivência).
Mas desta vez ele sorriu voluntariamente, genuinamente, apenas porque sentiu vontade de sorrir, sem nenhum constrangimento. Foi o suficiente para eu esquecer qualquer tipo problema e refletir sobre o quanto este gesto tão simples pode ser tão poderoso.
Então pensei em como o ato de sorrir anda cada vez mais distante das pessoas, principalmente no ambiente de trabalho, onde os prazos, o foco em resultado, busca de aumento de market share, a assertividade do forecast, as reuniões de braimstorming, a necessidadade follow up, dentre outros jargões corporativos com o qual convivemos, muitas vezes fazem com que os caminhos do relacionamento mudem para uma comunicação rápida e mais assertiva. Ou muitas vezes longas e intermináveis frases que não querem dizer nada, as famosas “evasivas” (acho que vou abordar este assunto em um próximo post).
Isso por si, já é contraditório, pois o mundo corporativo deveria ser sinônimo de comunicação, uma vez que entre nós, seres humanos, mamíferos de telencéfalo altamente desenvolvido e com polegar opositor, 93% da comunicação é não verbal. O sorriso é uma das formas de comunicação não-verbais mais importantes entre as pessoas porque passa uma mensagem positiva: “Gosto de você, aceito você”. Logo, ao sorrir, é mais provável que tenhamos aberto uma janela para que a recíproca seja verdadeira.
E aqui não há apenas uma questão social, mas alguns importantes componentes fisiológicos: usamos 14 músculos para sorrir e 72 para franzir a testa. Além disso, este simples ato libera endorfina, que é o hormônio da felicidade. Quando sorrimos também aumentamos nossa auto-estima, que se reflete em nosso ambiente profissional e se estende a nossas vidas fora do escritório.
Quantas vezes recebemos sorrisos com a boca, mas não com os olhos? Quantas vezes este ato chega até nós sem nenhuma expressão ou intensidade? Quantas vezes nem um sorriso sequer recebemos? Quantas vezes também agimos assim? Acho que vale a reflexão.
Enquanto escrevo este texto, estou em um quarto de hotel, em viagem de trabalho. E a imagem que não me sai da cabeça é de uma expressão que geralmente para nós não tem custo, não tem preço, mas tem muito valor: agora, dois sorrisos me esperam ao chegar em casa.
Muitas pessoas, no nosso dia-a-dia podem estar esperando o nosso também.